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  • Antonino de Sousa

viver o advento

A “atenção” vem de “atender” e significa orientar o espírito e a mente para aquilo que vem. Esta orientação corporal de si pressupõe a vigilância e a meditação enquanto experiência espiritual e lugares onde se exercita essa mesma atenção.

A oração é um lugar, a oração ou a meditação é um acto corpóreo, de quase suspensão do tempo e do espaço, de mobilização sensível que nos envolve totalmente na reciprocidade de uma relação.

Estamos a viver esse tempo, estamos a viver o tempo de advento, que é um tempo de exercitação da atenção, da prática de uma “ética da atenção” aos outrosorque só através desta atenção aos gestos é que o nosso Natal se torna mais rico.

E atender é olhar o tempo de um outro modo, a partir da doação e da dádiva, porque só pela doação, pela dádiva é que a nossa vida faz mais sentido.

Dar tempo, é dar-se por inteiro nesse tempo de vida cruzada, dar o seu tempo é ser dom para os que se sentem esquecidos nas brumas temporais da história, sem eternidade.

Simone Weil, filósofa e mística de olhos abertos ao drama do homem moderno, dá corpo à «ética da atenção», quando, no seu livro A espera de Deus, escreve que «a capacidade de prestar atenção a um infeliz é coisa muito rara, muito difícil; é quase um milagre; é um milagre».

É isto que precisamos neste tempo de advento e neste iniciar de ciclo… maior maturidade, precisamos de olhos abertos, de procurar novos sonhos, de encontrarmos luz para a nossa vida e de aprofundarmos a nossa fé, porque a fé dá sentido à nossa vida e dá forma ao modo como vivemos neste mundo.

Neste tempo de advento lembremos que as nossas mãos podem construir, que as nossas mãos podem agasalhar, que as nossas mãos podem amar. Que este tempo seja um tempo de gestos amorosos, de gestos que aquecem o coração dos outros… só assim haverá natal; só assim haverá advento dentro de nós!




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